Economia
Inquilino gasta R$ 12 mil para consertar telhado prestes a desabar e tribunal barra o despejo até o proprietário restituir a reforma necessária
A execução de benfeitorias necessárias para evitar o desabamento do imóvel confere ao locatário o direito de permanecer na casa até a devolução do dinheiro.
Alugar uma residência com vícios estruturais ocultos pode transformar a rotina do locatário em desespero durante as tempestades de verão. A Justiça barrou a ordem de despejo movida por um proprietário e garantiu que o inquilino continue morando no imóvel até receber o ressarcimento integral de R$ 12.000,00 gastos no reparo emergencial do telhado.
O que a Lei do Inquilinato diz sobre consertos urgentes para evitar desabamento?
O dono do imóvel é obrigado a entregar o imóvel em condições habitáveis e responder por defeitos graves que antecedem o contrato de locação. O Artigo 22 da Lei nº 8.245/1991 determina que cabe ao locador garantir o uso pacífico e manter a forma e a substância da edificação.
Quando vigas de madeira apodrecem ou telhas cedem ameaçando desabar sobre os moradores, a obra é classificada como benfeitoria necessária. O Artigo 35 da Lei do Inquilinato assegura que reparos dessa gravidade devem ser indenizados pelo proprietário mesmo que não tenham autorização prévia.

O que é o direito de retenção concedido ao inquilino pelo juiz?
O direito de retenção é a prerrogativa legal que permite ao inquilino permanecer na posse física do imóvel alugado até que o proprietário pague a dívida referente às reformas essenciais. O Artigo 1.219 do Código Civil assegura essa garantia ao possuidor de boa-fé.
Se o dono da casa ingressar com ação de despejo por falta de pagamento enquanto deve o valor da obra emergencial, o inquilino pode apresentar reconvenção na contestação. O tribunal suspende a ordem de desocupação até que o acerto de contas seja homologado judicialmente.
Vale mais a pena reformar por conta própria ou rescindir o contrato de locação?
Antes de gastar economias pessoais em uma casa que não é sua, o inquilino precisa avaliar se o dono está disposto a abater os custos nas parcelas mensais. Imóveis com problemas crônicos de fundação ou laje costumam exigir reformas caras que geram longas disputas.
Para decidir o caminho mais seguro para a segurança da sua família, examine os prós e contras detalhados a seguir:
⚖️ Decisão Perante Risco Estrutural
Quais provas o morador precisa guardar antes de subir no telhado para a obra?
Fazer a obra sem produzir provas imediatas permite que o proprietário alegue que o conserto foi supérfluo ou que a reforma alterou a estética sem necessidade. É indispensável comprovar o perigo iminente de colapso antes de quebrar a primeira telha.
Para assegurar o direito de ressarcimento de R$ 12.000,00 perante o juiz, monte o seguinte dossiê probatório:
- 📸 Fotos e vídeos das infiltrações: Registre as goteiras ativas, a madeira envergada e a água descendo pelas tomadas elétricas.
- 🚨 Laudo da Defesa Civil ou Engenheiro: O auto de interdição parcial comprova que a reforma era questão de vida ou morte.
- 🧾 Três orçamentos e notas fiscais: Guarde cupons fiscais nominais de materiais e contratos de prestação de serviços com pedreiros.
O proprietário pode descontar o conserto direto dos aluguéis futuros?
A compensação amigável entre os gastos comprovados e os boletos mensais de aluguel é o caminho mais rápido e econômico para as duas partes. No entanto, o inquilino não deve simplesmente parar de pagar sem um termo aditivo por escrito.
A suspensão unilateral dos pagamentos sem anuência formal pode ensejar ação judicial sumária, como detalhado nas orientações técnicas a seguir:
📋 Perguntas Frequentes
Esclareça direitos sobre reformas necessárias em imóveis alugados
A Súmula 335 do STJ considera válida a renúncia geral, mas a jurisprudência afasta essa cláusula em casos de obras estruturais urgentes que evitam a ruína física da propriedade do locador.
Sim. Mediante ação de consignação em pagamento cumulada com obrigação de fazer, o morador deposita o valor do aluguel em conta judicial e pede autorização liminar para abater a reforma.
Salvar um imóvel de desabamento com recursos próprios confere ao locatário proteção jurídica integral. O direito de retenção impede que o inquilino seja despejado enquanto o proprietário não devolver cada centavo da obra necessária.